Detalhes do Trabalho

VOZES SILENCIADAS: UM ESTUDO SOBRE AS VIVÊNCIAS DE MULHERES QUE EXERCEM A PROSTITUIÇÃO E A BUSCA POR HUMANIZAÇÃO

Trabalho de Conclusão de Curso

Semestre:  2/2025
Autor: Camila Iris Battistella
Orientador: Jully Fortunato Buendgens
Coordenador: Michela Da Rocha Iop
Curso: PSN - Psicologia
Resumo: 

A prostituição feminina no Brasil possui uma longa trajetória histórica, marcada por processos de marginalização, estigmatização e invisibilidade social. Desde o período colonial, as mulheres que exerciam atividades sexuais em troca de pagamento foram alvo de preconceito moral, controle social e exclusão das esferas de poder e cidadania. Ao longo do século XX, apesar de algumas tentativas de regulamentação e do reconhecimento legal da atividade, essas mulheres continuaram sendo marginalizadas, enfrentando violência, exploração e restrições à sua autonomia. Atualmente, embora a prostituição seja legalmente permitida, a atividade continua sendo frequentemente desvalorizada socialmente, associada a riscos de violência física e psicológica, exploração econômica e preconceito, o que limita o acesso das mulheres a direitos, políticas públicas e redes de apoio institucional. Essa persistente marginalização evidencia não apenas uma desigualdade histórica, mas também a necessidade de compreender a prostituição como um fenômeno social complexo, que envolve questões de poder, economia, saúde e direitos humanos. O presente trabalho de conclusão de curso teve como objetivo investigar as vivências das mulheres que exercem a prostituição. Nesse contexto, a pesquisa investigou as experiências, conheceu as dinâmicas sociais e familiares vivenciadas pelas mulheres, bem como as possíveis redes de apoio, estudou-se as dificuldades e as estratégias de resistência adotadas pelas mulheres na prostituição frente ao estigma social e à violência estrutural e traçou um comparativo entre as vivências de mulheres que exercem a prostituição em locais fechados e nas ruas. Para atender a esses objetivos, foram realizadas entrevistas semiestruturadas individuais com quatro mulheres que exerceram a prostituição na região do Alto Vale do Itajaí/SC por, no mínimo, 6 (seis) meses. Os dados coletados foram analisados de acordo com os objetivos estabelecidos. Fundamentada em uma abordagem fenomenológica, a pesquisa valoriza as vozes das participantes, permitindo que suas experiências sejam analisadas de forma aprofundada e respeitosa. Os achados evidenciam a complexidade do cotidiano dessas mulheres, mostrando como constroem formas de resistência diante dos riscos e do preconceito, bem como a busca pela legitimidade de sua profissão e por direitos fundamentais. Além disso, a pesquisa evidencia a carência de estudos aprofundados sobre diferentes modalidades de atuação na prostituição, os impactos sociais e psicológicos enfrentados pelas mulheres e a necessidade de uma abordagem interdisciplinar envolvendo saúde, assistência social, direito e políticas públicas. Dessa forma, este trabalho reforça a urgência de consolidar espaços de diálogo, pesquisa e intervenção social que valorizem as vozes das mulheres, promovam estratégias de proteção, autonomia e empoderamento, contribuindo para transformar a percepção social sobre a prostituição e fortalecer direitos e garantias fundamentais.

Palavras-chave: Estigma, Prostituição, Humanização
Data da Banca: 25/11/2025
Data de Públicação do Trabalho: 05/02/2026